Quinta-feira, Junho 26, 2003
Peter Sellers está vivo e a residir na Turquia
E mais, o seu sentido de humor continua perfeitamente oleado. Senão vejam.
Quarta-feira, Junho 25, 2003
Uma veia desBlogueada
As minhas saudações ao desBlogueador de Conversa, fico muito agradecido pela menção lisonjeira que me foi tecida, principalmente no que toca às "opiniões interessantes". Para ser sincero, não fazia ideia que já tivesse escrito alguma.
Agradeço ainda a recomendação do Comprometido Espectador, em especial este post, com o qual estou (e digo-o com um profundo sentimento de tristeza) 100% de acordo. Pelo andar da carruagem, não teremos de esperar muito até ver o Herman, de olhos azuis esbugalhados pelo engano, avançar na direcção das câmaras como a Gloria Swanson no Crepúsculo dos Deuses, e murmurar, ébrio de ilusão:
— Estou pronto para o seu número, Professor Alexandrino . . .
Terça-feira, Junho 24, 2003
Mantenham-se atentos a este espaço
Um homem arranja três blogues, mas não tem disponibilidade para escrever para nenhum deles. Por agora, isto é. Enquanto isso, perdoem a aridez destas páginas.
Atã MacJête?
Nã salmariem tódes co stáque, qué só o nôve blogue déss déb dfensôr das minoris algarvis, o Jorge Candês. Vã lá vér qu'iste premete!
O meu reino por um prontuário ortográfico melhor
O Blogo, indispensável serviço de apontadores para os blogues da nossa praça, já conta com o Hemogoblina Pura nas suas listagens. Por tudo, os meus sinceros agradecimentos, embora jamais vá perdoar a confusão com essa ignóbil substância que dá pelo nome de "hemoglobina" . . .
Segunda-feira, Junho 23, 2003
De quantos blogues precisa um homem para ser feliz? (2)
A questão impõe-se mais uma vez. A cabeça fervilha de pensamentos inexprimíveis, de gritos abafados que se comprimem na garganta à espera de escapar pelos cantos da boca e desta forma ecoar por recantos antes silenciosos. Assim é com a literatura de ficção científica e fantástico na blogosfera. Apesar dos dois ou três escaninhos que já lhe são dedicados, há uma lacuna por preencher, um espaço vazio onde se recorta uma central para dar a conhecer notícias, ideias e recomendações sobre boa ficção especulativa.
É com este objectivo em mente que empreendo aqui o que espero seja uma longa caminhada Na Trilha de Möbius, mas desta vez com companhia, que apesar da hiperactividade febril, um homem não é de ferro. À equipa deste novo blogue já se juntou Jorge Candeias, ele próprio escritor e editor do site E-nigma. Outros seguir-se-ão, espero, e aguardo com ansiedade resposta aos convites que enviei. As opiniões afiguram-se diversas, e capazes de gerar num só blogue quase tanta polémica como a que tem chamuscado tantas sensibilidades luso-bloguísticas por essa Internet fora.
O meu reino por um prontuário ortográfico
Até que enfim, uma das três pessoas que lêem este blogue interroga-se se as palavras hemogoblina e góblulos estão bem escritas. Em boa verdade, este meu cantinho bem se podia chamar "Hemobloguina Pura", com 100% blógulos vermelhos.
Mas não, é Hemogoblina. E para que não restem dúvidas, o título não podia estar mais correcto.
Domingo, Junho 22, 2003
Richard Calder em Portugal
Richard Calder vai estar em Lisboa entre 14 e 18 de Julho, após passagem por Espanha, onde foi convidado para a Semana Negra de Gijón e onde serão lançados dois dos seus livros.
Aproveitando a presença de Calder em Portugal, organizei um colóquio com o escritor para a noite de 16 de Julho (quarta-feira), na Ler Devagar, onde Calder responderá a algumas perguntas e lerá excertos da sua ficção, seguindo-se uma sessão de autógrafos.
* * *
Richard Calder nasceu em 1956 em Londres e estudou Literatura Inglesa na Universidade de Sussex durante a década de 70. A influência das extensas viagens de Calder pelo oriente, especialmente à Tailândia e Filipinas, encontra-se bem patente na sua escrita. Ao regressar ao Reino Unido trabalhou no sector livreiro e na televisão, acabando por se tornar escritor a tempo inteiro em 1990.
Calder é o autor de uma das mais bizarras trilogias de ficção especulativa — Dead Girls, Dead Boys e Dead Things — e de Frenzetta, uma perturbadora e exótica mistura de violência e erotismo. Entre os outros livros de Calder encontram-se Cythera, The Twist, Malignos, Impakto e Lord Soho, para além de vários contos e noveletas na revista Interzone. Recentemente, Calder publicou ficção na S1ngularity de Gabe Chouinard e sob pseudónimo na antologia Album Zutique #1, editada por Jeff VanderMeer. Em breve poderá ser lido no compêndio Thackery T. Lambshead Pocket Guide to Eccentric & Discredited Diseases, ao lado de vultos como Neil Gaiman, Alan Moore, Michael Moorcock e Rikki Ducornet.
A sua escrita tem sido elogiada por escritores e críticos como William Gibson (o autor de Neuromante), Michael Moorcock (criador da saga de Elric, vencedor de um Nebula e um Guardian Fiction Award, e finalista dos prémios Whitbread e Booker) e ainda John Clute (coordenador da Encyclopedia of SF).
À laia de amostra, recomendo a leitura dos contos "Toxine" e "Mosquito", ficando à disposição através do e-mail luis.rodrigues@fantasticmetropolis.com para quaisquer informações adicionais.
Sangue fresco
A banda desenhada chegou finalmente à blogosfera portuguesa pela mão da Sara Figueiredo Costa e da Sílvia Moldes, e esboça-se no seu Beco das Imagens um recurso essencial e gotejante de bom gosto para quem se interessa sobre o mundo da 9.ª Arte, ou até para quem ainda desconhece as ruas desta cidade e procura um bom atalho para avenidas mais largas.
E não há começo mais auspicioso do que sob a égide de François Schuiten, um dos arquitectos d'As Cidades Obscuras, que fez esta genial ilustração sobre Coimbra. Só por isso vale a pena a visita.
Agarra que é ladrão
É iraquiano, de altura e idade indeterminadas, e carrega uma ogiva nuclear às costas. Procura-se, vivo ou morto.
De quantos blogues precisa um homem para ser feliz?
De dois. Pelo menos.
Apesar de já ter um blogue, sou por vezes acometido de uma exasperante vontade de blogar em português para portugueses, que isto de escrever apenas para anglófono ler nem sempre traz a satisfação que se espera. Até um filisteu como este vosso criado sente remorsos pelas pequenas traições à língua. Além do mais, será um prazer poder interagir com a blogosfera portuguesa no idioma apropriado, que por cá a febre dos blogues é tanta que chega até a infectar a mesma pessoa duas vezes.
Por essas e outras razões, eis a Hemogoblina Pura. Apesar da febre, a frequência de actualização de qualquer dos blogues é ditada pela minha realíssima gana, pelo que nem todos os dias haverá sangue fresco. Também não será uma mera transposição para português do que escorre nas páginas do Goblindegook, mas sim um repositório de entradas que, por qualquer sórdido motivo que não convém para aqui escalpelizar, não faz sentido lá serem incluídas. À semelhança do outro blogue, também não há aqui lugar para ruminações onfálicas sobre os pequenos atropelos da minha vida, excepto quando suficientemente impregnados de piada que todos se possam rir à minha custa.
Sejam benvindos, portanto. Cuidado com os esguichos, que as nódoas custam a sair.

